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Por: André Czitrom 

Quando falamos em habitação, do que estamos falando afinal? Muita gente pensa apenas da porta para dentro: como é a disposição da casa ou do apartamento e que tipo de morador aquele imóvel pode atrair. Claro que este é um aspecto muito importante, mas está longe de resumir tudo o que a habitação envolve. Quando falamos em programa de moradia, estamos falando sobre produzir cidade e estamos, acima de tudo, discutindo de maneira bastante prática e objetiva como queremos que ela se desenvolva.

Construir casas, edifícios e apartamentos é contribuir para aumentar a oferta de moradia para determinados perfis da população. É poder aproximar as pessoas e permitir o acesso a infraestrutura existente, garantindo serviços, mas inacessíveis para muitos, como abastecimento de água e coleta de esgoto. É repensar a relação dos futuros moradores com a vizinhança da qual farão parte, e a relação de todas estas pessoas com o espaço público. É duvidar da importância e da qualidade dos limites que separam o público e o privado — precisamos mesmo de tantas cercas, muros e grades?Podemos repensar, por meio de um programa de arquitetura e habitação, as relações entre gestores públicos, futuros moradores e colaboradores de obras.

Produzir habitação é também equacionar os graves problemas de mobilidade que enfrentamos, pois aproximar residências e postos de trabalho é encurtar distâncias e ampliar as oportunidades de emprego e estudo. É garantir qualidade de vida para cada um se desenvolver ao máximo — e também para a própria cidade se desenvolver. Com habitação podemos ajudar a incrementar diversas regiões, impulsionando a vocação e o potencial de cada uma delas. Produzir habitação é até mesmo questionar o passado, buscando entender por que os métodos construtivos, mecanismos de financiamento à produção e ao mutuário e a busca pela arquitetura de qualidade evoluíram tão pouco. Como podemos torná-los ágeis e eficientes;

Em suma, produzir habitação de qualidade é a chave para cidades mais eficientes, justas e sustentáveis. Desde 2009, a MagikJC, empresa na qual sou sócio desde 2016, realiza empreendimentos no âmbito do programa Minha Casa Minha Vida e, a partir de 2016 passamos a empreender habitação social no centro de São Paulo. Esta experiência nos faz acreditar que oferecer boa arquitetura, acesso ao design a preços acessíveis e ótima localização é a maneira mais eficaz de impactar positivamente, não apenas as milhares de pessoas que viverão nestes empreendimentos, mas também seu entorno e toda a cidade.

Por isso e por uma série de ações sócio ambientais que realizamos com colaboradores de obras, comunidades e vizinhanças, somos a primeira deste setor certificada pelo Sistema B, selo mundialmente reconhecido e concedido a empresas que,  por meio de seus negócios,  buscam soluções de impacto positivo. Nosso propósito e missão são muito mais do que entregar apartamentos com qualidade e dentro do prazo contratual. Queremos melhorar tudo o que for possível, do gradil que separa o prédio da rua à relação entre condôminos, do tempo de deslocamento à sensação de insegurança de quem caminha pelo centro. Esse pensamento nos fez redigir um manifesto de Impacto Positivo: quatro pilares que guiam a nossa busca pela humanização do processo de incorporação e de construção de uma cidade em que acreditamos. Queremos uma cidade melhor. E é discutindo e produzindo habitação que chegaremos lá. Por isso sempre dizemos que não queremos ser a melhor empresa de São Paulo, mas a melhor para São Paulo.

André Czitrom:
Engenheiro Civil pelo Mackenzie e Pós-Graduado em História da Arte pela FAAP.
Atua no mercado de construção civil há 17 anos e, desde 2016 é sócio na MagikJC Empreendimentos, uma empresa fundada em 1972.